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Terapia de casal: quando o vínculo pede escuta e cuidado

  • Foto do escritor: Jéssica Esteves
    Jéssica Esteves
  • 5 de fev.
  • 3 min de leitura

A qualidade dos nossos relacionamentos determina a qualidade das nossas vidas.

Esther Perel


Relacionar-se é uma experiência profundamente humana — e também complexa. Os vínculos amorosos nos colocam em contato com desejo, intimidade, expectativas, frustrações e conflitos que, muitas vezes, não sabemos nomear ou atravessar sozinhos.


Todo relacionamento passa por fases. Há momentos de encontro, encantamento e proximidade — e outros em que o vínculo parece se perder em silêncios, conflitos repetidos ou distâncias difíceis de sustentar. Quando isso acontece, o casal nem sempre precisa de respostas prontas, mas de um espaço onde possa se escutar novamente.


A terapia de casal é esse lugar de pausa e cuidado. Um espaço para olhar a relação com mais consciência, acolhendo dores, ambivalências e desejos que ficaram à margem do cotidiano.

Na abordagem junguiana, compreendemos que os conflitos do casal não pertencem apenas ao presente. Eles se entrelaçam com histórias pessoais, padrões familiares, expectativas inconscientes e projeções que, no início da relação, costumam se confundir com amor. Ao longo do processo terapêutico, esses conteúdos podem ser reconhecidos, elaborados e transformados.


Por que buscar terapia de casal?


Geralmente, um casal procura psicoterapia quando a relação já está atravessada por sentimentos de desgaste, raiva, frustração, decepção ou desesperança. Pequenas desatenções acumuladas, expectativas não ditas, dificuldades na comunicação e conflitos em torno de temas como trabalho, filhos, sexualidade, dinheiro ou família de origem vão, aos poucos, se transformando em barreiras contra o afeto.

Buscar terapia não significa que o relacionamento fracassou, mas que o vínculo está pedindo mais consciência, cuidado e responsabilidade.


Ao longo do processo, o casal é convidado a:


  • compreender os padrões relacionais que se repetem e os complexos individuais e familiares que impactam o vínculo;

  • dar voz a sentimentos difíceis, favorecendo uma comunicação mais clara, ética e respeitosa;

  • reconhecer projeções inconscientes, muitas vezes construídas no início da relação, quando o apaixonamento tende a encobrir diferenças e limites;

  • rever acordos e combinados, acompanhando as mudanças naturais da vida e da relação;

  • construir estratégias colaborativas para lidar com conflitos, limites e diferenças;

  • fortalecer a autonomia individual, sem perder de vista a interdependência que sustenta o vínculo.


Para facilitar esse processo, podem ser utilizados recursos expressivos — como sonhos, imagens, narrativas simbólicas e recursos corporais — que ajudam o casal a acessar conteúdos conscientes e inconscientes, ampliando o olhar sobre si mesmos e sobre a relação.


A terapia de casal não busca manter o relacionamento a qualquer custo, mas favorecer escolhas mais conscientes: seja para reconstruir a intimidade e a conexão, seja para compreender, com cuidado, quais caminhos ainda fazem sentido para ambos.


O que se busca, acima de tudo, é criar um espaço seguro onde o casal possa se escutar, se reconhecer e decidir com mais consciência — seja para reconstruir a parceria e a intimidade, seja para ressignificar o vínculo de outras formas.


Amadurecer um vínculo exige atravessar a quebra das idealizações e reconhecer o outro em sua alteridade. Nem sempre esse caminho é simples — mas ele pode abrir espaço para relações mais vivas, éticas e verdadeiras.


Referências:


BENEDITO, Vanda Lucia Di Yorio (org.). Terapia de casal e de família na clínica junguiana: teoria e prática. São Paulo: Paulus, 2015.

BENEDITO, Vanda Lucia Di Yorio (org.). Desafios à terapia de casal e de família: olhares junguianos na clínica contemporânea. São Paulo: Paulus, 2021.

BOECHAT, Paula. Uma visão junguiana da terapia familiar sistêmica. São Paulo: Paulus, 2024

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​Jéssica Harumi Esteves - Psicóloga Clínica - CRP 06/118104

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