top of page

Redução de danos e integração de experiências psicodélicas

  • Foto do escritor: Jéssica Esteves
    Jéssica Esteves
  • 5 de fev.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 12 de fev.


Estudos recentes em psicoterapia assistida com psicodélicos vêm investigando seu potencial no tratamento de depressão, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático, a partir de diferentes substâncias. O termo psicodélico deriva do grego psyche (mente, alma) e deloun (tornar visível, manifestar), referindo-se a experiências que podem ampliar a consciência e tornar acessíveis conteúdos psíquicos profundos, muitas vezes de natureza simbólica, emocional e inconsciente.


Em minha prática, a integração psicodélica é compreendida como parte de uma estratégia de redução de danos, sustentada por uma postura ética, sem julgamentos ou dogmas, e centrada na autonomia da pessoa acompanhada. O objetivo é minimizar possíveis efeitos negativos associados a comportamentos ou situações de risco, sem exigir, necessariamente, a eliminação completa da conduta, priorizando a saúde, a segurança e o bem-estar psíquico.


Embora essas substâncias ainda não sejam regulamentadas como ferramentas psicoterapêuticas, seu acesso e uso têm se ampliado, assim como as pesquisas voltadas ao tratamento de sofrimento psíquico. Para além do contexto científico e recreativo, há também o uso em contextos ritualísticos, religiosos e tradicionais, como no Santo Daime e em saberes ancestrais ligados ao uso da Ayahuasca.


Por que é recomendado fazer a preparação e integração das experiências?


Essas experiências podem mobilizar conteúdos inconscientes intensos e, dependendo do contexto e da forma de uso, tornar-se desafiadoras quando não são adequadamente preparadas e integradas. Por esse motivo, não realizo acompanhamento durante o uso das substâncias. Minha atuação se dá no preparo para a experiência — por meio de orientação, informação e escuta da demanda e localização da intenção do uso — e no processo de integração dos conteúdos emergentes, favorecendo a elaboração simbólica e a continuidade do cuidado na vida cotidiana.


Esse trabalho é direcionado a pessoas que já fazem uso de psicodélicos em contextos ritualísticos, religiosos, individuais ou recreativos, sempre a partir de uma ética do cuidado e da redução de danos.


Ressalto que não incentivo, prescrevo ou acompanho o uso de substâncias, mantendo minha atuação estritamente no campo da preparação, integração e elaboração clínica.


Nota orientativa em relações aos psicodélicos na Psicologia do Conselho Regional de Psicologia (CRP / 06)





 


 
 
 

Comentários


​Jéssica Harumi Esteves - Psicóloga Clínica - CRP 06/118104

bottom of page